Estação Paraíso



Um trem para o além. Sem ninguém. Apenas o som do vagão e a fumaça que passa.
Aquele plano que durou dias a fio, ao passado pertece, e teu mapa se perdeu na neblina escura de pensamentos em vão.
Tão determinado a ser algo além da pele branca. Tão consciente de estar viajando no subconsciente.
O tempo urge. Mas nada importa. Flutuar na cachoeira do stress, Escalar as montanhas do medo.
Ao fundo, acender uma fogueira da coragem para  suas labaredas cortar o ar da inocência invisível.
Cru. Despido de lixo espacial. Eu. Você. Nossos olhos brilham. Nosso corpo reverbera nostalgia.
Pois estamos falando de um sonho coletivo. A pressão atmosférica de viver nessa casca nos une, nas nuvens, nas tempestades.

Reduzo. Freio. Paro.

Estação Paraíso

Seus pés calçam o chão de areia. Ali está. Hora de tragar a liberdade como gratidão. Que vista.
- Seria possível um dia este lugar não ser belo?
Não. A beleza angelical desta landscape dá ao cegos o dom de ver também.

Estação Masp

Pego tua mão.
- Veja isso também. Me diga que estou louco.
Pedido aceito. Aqui há espaço para loucura.
Você sob meu ombro , rasgando folhas secas, soprando bolhas azuis, cantando notas vermelhas.

Estação Brigadeiro

 Aqueles livros guardados na memória parecem apodrecer nas prateleiras da insignificância.
Temos tudo isso. Só isso. E nossas roupas descolam com o vento molhado e a chuva torrencial.
A natureza clama por um batizado e a libido saliva rios de prazer.
- Vamos dar ao mundo esta honra.

Estação Consolação

Adormecer neste paraiso chega a ser um pecado, e não podemos ficar parado. Mas não é dificil. Uma orquestra de pássaros dá o tom da viagem, e o dia começa a fechar as cortinas. Uma dança embriagada de amor.Rodopios de vaga-lumes. É hora de dar risada.A maior das risadas.
De volta ao trem, olho para trás e digo:
- Se este não foi o céu, estive perto.



- Texto para o projeto de contos Carpas Verdes




0 comentários:

Postar um comentário

 

Blogger news

Blogroll

About