Sonolento, com um olho entreaberto,
Um pequeno convite é visto, soprado por debaixo da porta.
Hummm...
- Nááá..não poderia ser.
Calçou o chão de tacos , esticou algumas fibras preguiçosas.
Se abaixou.
Abriu.
Sorriu.
'' Chegou a hora de você mostrar sua mágica. Suruba no 401 às 3am ''.
- Marina, Marina. Você e seus impulsos por sexo, tequilas e fantasias.
E uma mulher não poderia ser mais direta.
Ah. O conhecido 401.
Já fazia um tempo.
Mas era quinta anoite e a vida não poderia adiar uma dessas.
E se tratando de uma suruba, nada melhor que uma fantasia.
O Natal se fora à duas semanas, mas um remanecente gorro ainda pairava na cadeira.
Hmm.
José Cuervo à postos.
Capa de chuva também.
Adeus 415.
Muito Prazer 401.
Toc, Toc.
Wow..
O neon pornô esfumaçado, os shots na mesa e a pole dance texturizada de cervejas, com duas excelentes frequentadoras embriagadas lhe proporcionaram uma visão de diretor de cinema.
- Papai Noel !
Marina.
Haha!
Boa.
O Gorro de natal caiu como uma luva.
Com uma tara recíproca ao convite precoce,
Um comprimento elegante também foi a tônica.
Um beijo na boca e uma singela mordida mamílica.
Cada.
Somo adultos, não somos?
Justo.
Body shot is for pussies.
Seguindo '' o melhor fica pro final'' , no ultimo comprimento, e já levemente alto, começou.
No canto do 401, que mais parecia um provador, lentamente, em um provador se transformou.
E olhar na cara é da hora.
Transar com os olhos,
Condimentar seus corpos,
Perambular na parede torta,
Se apoiando na janela claustrofóbica.
Porque tua calefação permeia nos carpetes,
Tua sensibilidade , aos poucos, descamam um falso intérprete.
Não precisa-se de muito para dizer quando começar.
O exato momento, ao tempo eu lhe deixo divagar.
Divagando...
Devagar...
Dissipando...
O fino ar.
E como um bocejo contagiante,
Juntos, os camaleões da noite se camuflaram no provador de quina.
Talvez tivesse um ímã.
Talvez o ''ideal'' fosse um ímã.
Ah, nossos ideais.
Que por hora, estavam anos luz do velho mundo teatral.
Que mofou no vapor do 401 .
Que perfumou volúpia nas roupas camufladas.
Que nos deixou viver, e apenas, viver.
O fino ar viajava de uma foz à outra.
Mas os camaleões, enfim, esparramaram-se e contemplaram o olha de baixo.
É esse free jazz que me alucina.
É essa impulsividade no corpo que me fascina.
Beiramos a sacada da malemolência,
Com mais dois ou três tragos e... fim da existência.
Nascemos descalços.
Morremos descalços.
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