Vovô




Vovô.
O senhor adormeceu aqui, no 26 de junho de 2014, em plena copa do mundo, a canarinho mais pulsante que nunca...
Que nunca mais direi Vovô, e Campos do Jordão será apenas Campos do Jordão, uma cidade vazia.
O frango caipira, as conversas de boleiro, a pescaria...
Ainda sinto o cheiro teu...Seu cigarro de palha e roupa esfumaçada de carvão.
 Os cachorros em volta, o forno à lenha sob a panela de feijão.
A voz tragada e atenuada lhe impediu de dizer,
O que palavras sinceras um dia pode escrever:
'' Perdão meus filhos, perdão''.
'' De carne e osso é meu corpo,
De evolução é minha fome.
Não me julgues por maldade,
Me aceites como homem''.
E como um grande homem, o senhor se foi...
Deixou um filho muito carinhoso que tem os teus olhos,
E um dia se orgulhou de apenas chamá-lo de, Pai.
Tal orgulho eternizou-se, e chegou ao neto.
Vô, o senhor foi e será ainda mais incrível nessa outra esfera,
onde terás liberdade para estar em paz.
Dizer Vô nunca foi tão gostoso, 
E agora, tão triste.
Por aqui, dizem as coisas importantes serem assim...
Sentimento ambíguo...
Mas por aí deve ser outra história, né?
Fazemos assim: Um dia eu colo aí e o senhor me conta tudo, fechou?
Fique bem.

Com carinho,


Julinho








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