Tempo



E o tempo passa.
Nem pede licença.
Eu pensava que era o rebelde, até conhecer você, tempo cruel.
Implacável, frio, calculista.
Pra você, tudo tem hora, e nada é igual.
Tudo vai embora, e nada volta atrás.
Dizem que é natural.
Mas natural pra mim é beterraba, siriguela, fruta do conde.
Natural é não acabar. Eternizar.
É bola na rede, primeira transa, acampamento, ser criança.
Mas como sempre de mal humor, vem você, e estraga tudo.
Literalmente.
Na cozinha não há maior inimigo.
Nos porta retratos também.
Um dia eu gostei de você. 
Lá atrás, quando enfim completei 14 anos e pensei '' sou invencível''.
Durou o bastante para querer de novo.
Mas logo passou e virou sessão da tarde.
Ou conversa de buteco, outro grande rival.
''Bebo pra não lembrar, não lembro de quanto bebi''.
Ou qualquer outro mandamento bêbado serve.
O que não serve é não beber.
Ops, mais um.
Ah, tempo, tempo.
Quando novo, imploramos sua pressa.
Quando velho, xavecamos:
'' Não quer entrar e tomar uma xícara de café? ''
Você olha pro lado, e esquece a fala.
Ingrato.



0 comentários:

Postar um comentário

 

Blogger news

Blogroll

About