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| Yves Klein |
Atrasado.
As pegadas lentamente foram ficando mais espaçadas.
Aquela agendinha na cabeça ia picotando como flocos de neve.
E nem sombras do dirigível terrestre, do trem para o além, do caminhão sem caminho.
Então, vamos ler.
Ler alguém, ler um livro.
Mas,
Duas páginas e uma volúpia e...ali está.
A cápsula-elétrica-entupida-transportadora-de-stress-ocioso-vencido.
Ou...o trem.
Sem mais demora, a cápsula começa a se mover.
E algumas páginas depois, destino alcançado.
Merda.
Na noite anterior, respirar o mesmo ar contaminado de outra pessoa não foi uma boa idéia...
Gribei.
E os demônios ouviram, pois enviaram uma chuva gribosa.
Nada mais purificador do que uma chuva, mas agora ?
Bom, à um bravo homem, nada mais lhe resta, a não ser, caminhar.
E Assim foi.
Mas dessa vez, as pegadas lentamente foram ficando mais próximas.
O tubo de raios catódicos uma vez disse que , nessas condições climáticas, assim era melhor.
E foi mesmo.
No caminho, uma lembrança de uma versão engraçada de '' break on through '' do Doors rondava a mente.
'' Abrete camino hacia el otro lado! Abrete camino hacia el otro lado! '' - dizia.
'' A língua também é uma arte '' - filosofava.
E então, algumas pegadas depois...
Destino final alcançado.
Lá estava o santuário.
A máquina de fazer ondas sonoras estava quentinha, só à espera do milagre cósmico.
Alguns ajustes finais para tornar tudo mais interessante...
E...
- Buuum.
A onda perfeita nos levou para o olho do oceano.
Como todos os santuários, o nosso também tinha suas peculiaridades.
Mas no momento, a verossimilhança estava muito longe de nós
Muuuito distante.
Muuuito distante.
E novas tribos, aos poucos, foram adentrando o refúgio flutuante.
O som estava bom.
Estava altamente perceptível e visceral.
Joyful.
Era o mundo azul.
Impenetrável.
Irresistível.
Altamente melindroso.
E da mais impulsiva das impulsividades,
Dançamos feito índios.
Cantamos feito sabiás-laranjeira.
Rimos feito chimpanzés boêmios.
Aquela onda inquebrável estava longe de ser perfeita.
Mas seria possível assim ser?
Não sei.
Apenas sei que levou um tempo para o santuário voltar ao seu estado meditativo.
E o centro da terra pulsou como nunca havia antes, naquela noite.
Mas até lá, nós ecoávamos pelas superfícies.
Casa à dentro.
De olhos bem abertos.
Azuis.
Bem azuis.
Mas até lá, nós ecoávamos pelas superfícies.
Casa à dentro.
De olhos bem abertos.
Azuis.
Bem azuis.


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